Nesta quarta-feira, dia 08 de outubro de 2025, o Papa Leão XIV deu sequência as suas catequeses com o tema ‘Jesus Cristo, Nossa Esperança’ e essa semana foi abordado um aspecto muito singular da ressurreição de Jesus: a humildade. Jesus se manifesta de modo muito silencioso e humilde: Maria Madalena pensou ser o jardineiro, os discípulos de Emaús caminharam com Ele por um longo tempo sem notar que era o Senhor, Pedro e os apóstolos pensaram que era um fantasma, mas Cristo se apresenta de corpo e alma, mostra suas chagas e pede algo para comer.
A ressurreição de Cristo não foi um evento circense com luzes e sons, não houve grandes discursos ante a um público, não houve anjos descendo do céu. Tudo foi na simplicidade e na proximidade com seus amigos. Ao comer com os discípulos, Jesus revela a ressurreição do corpo, das nossas relações humanas, da nossa própria história. Cada detalhe nosso não é descartável: Cristo quer ressuscitar todo o nosso ser e elevá-lo à plenitude gloriosa, na comunhão com Deus.
O Papa, porém, alerta sobre uma tentação que nos impede de reconhecer Cristo nos mínimos detalhes de nossa vida: o sofrimento. A cruz é um caminho necessário para a ressurreição: “Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me’’ (Lc 9,23). Os discípulos de Emaús comentavam com dor o que se passava e mesmo sabendo do sepulcro vazio, ainda não acreditaram. Ao ouvir o que Jesus dizia, sem reconhece-lo, seus corações começaram a arder. E isto explica o Papa Leão XIV: ‘‘sob as cinzas do desencanto e do cansaço, há sempre uma brasa viva, que só espera ser reavivada. ’’.
Muitas vezes esperamos que o Senhor se manifestará nos momentos de grande fervor espiritual ou no recolhimento de um retiro silencioso. Mas no cotidiano, nas tarefas domésticas, no trabalho, na criança que chora a noite, no brinquedo espalhado no chão, nas panelas empilhadas na pia para lavar, nos pequenos sofrimentos ordinários, nas relações desgastadas, no sofrimento de uma doença: nesses momentos o Senhor se manifesta de modo calmo e simples para lembrar que a morte não dá a última palavra. Ele vence. Sua presença reaviva em nós a esperança da ressurreição.
‘‘O Ressuscitado só quer manifestar a sua presença, tornar-se nosso companheiro de caminho e acender em nós a certeza de que a sua vida é mais forte do que qualquer morte. Então, peçamos a graça de reconhecer a sua presença humilde e discreta, de não pretender uma vida sem provações, de descobrir que cada dor, se for habitada pelo amor, pode tornar-se lugar de comunhão.’’ (Papa Leão XIV)







