Neste ano de 2025, ano jubilar da esperança, o Papa Leão XIV continua o ciclo de catequeses iniciada pelo Papa Francisco, com o tema ‘‘Cristo, Nossa Esperança’’. No dia 01 de outubro de 2025, o Papa Leão inicia as reflexões sobre a ressurreição de Jesus com a palavra ‘A paz esteja convosco’ (Jo 20,21).
Na paixão de Cristo, foi falado que a cruz não é um sinal de derrota (embora o mundo assim o veja), mas um sinal de amor, onde Cristo cumpre sua missão em plenitude. E esta palavra se confirma na cruz ‘Tudo está consumado’ (Jo 19,30). Cristo ilumina a mansão dos mortos com sua presença e resgata a humanidade das trevas do pecado. A ressurreição, porém, acontece de modo manso e humilde: não há um sentimento de vingança contra aqueles que o crucificaram e não há um retorno triunfante com luzes e som. A pedra do sepulcro é removida, mas ninguém escuta. Quando as mulheres chegaram, Ele já havia saído do túmulo.
Em seguida, Jesus aparece apenas ao seu círculo de amigos mais íntimos e os saúda: ‘‘a paz esteja convosco’’(Jo 20,21). Jesus havia entrado na mansão dos mortos e libertado os que estavam aprisionados. Agora, o Senhor liberta aqueles que estavam aprisionados no medo, levando a paz. Jesus mostra as mãos e o lado e os discípulos não se sentiram amedrontados ou com vergonha, mas ‘‘se alegraram por ver o Senhor’’ (Jo 20,20). As chagas de Cristo revelam o amor com o qual nós amados. Mesmo na nossa falha, Ele não desiste de nós. Ele seguiu determinado.
Assim, o Senhor mostra-se nu e desarmado. Não pretende, não chantageia. O seu amor não humilha; é a paz de quem sofreu por amor e agora pode finalmente afirmar que valeu a pena!’’ (Leão XIV)
Há verdadeiramente a paz com tudo o que passou. Infelizmente conosco é mais difícil. Muitas vezes mascaramos nossas dores, mas ainda não estamos em paz com quem nos traiu ou nos feriu. E preferimos esconder a ferida ao invés de tratá-la, com medo de sentir mais dor. Jesus, por sua vez, nos revela suas feridas abertas: a ressurreição não esconde o que passou, mas o transforma na ‘‘esperança da misericórdia’’.
Os discípulos experimentaram a sensação do fracasso e contemplaram a vitória. Agora, a ordem é anunciar a Boa Nova. Tornam-se discípulos da esperança e da misericórdia. ‘‘Como o Pai me enviou assim também eu vos envio. Disto isso, soprou sobre eles e falou: Recebei o Espírito Santo’’ (Jo 20, 21-22). O Espírito Santo guia aqueles que foram testemunhas da Paz que vem do Alto: a reconciliação, o perdão e a esperança. Os discípulos não podem mais ficar em silêncio: é necessário anunciar.
Este é o coração da missão da Igreja: não administrar um poder sobre os outros, mas comunicar a alegria de quem foi amado exatamente quando não o merecia. Foi a força que fez nascer e crescer a comunidade cristã: homens e mulheres que descobriram a beleza de voltar à vida para poder doá-la aos outros! (Leão XIV)
Felipe Mendes – Missionário da Comunidade Católica Missão Maria de Nazaré






