O projeto social Família acolhedora é uma modalidade de acolhimento garantido pelo ECA (Estatuto da Criança e Adolescente) que acolhe, temporariamente, por determinação judicial, crianças e adolescentes que tiveram seus direitos violados. Onde as famílias que desejam acolher este beneficiário, passarão por uma capacitação para melhor entender o projeto e sua estrutura. Também neste período de acolhimento, o acolhido passará por um processo de aproximação com a família biológica, podendo reafirmar laços.

Após o período atendido, poderá acontecer o retorno do acolhido para sua família de sangue, caso não seja possível, poderá ser designado para o processo de adoção.

 

Período de preparação para o acolhimento

O primeiro passo para se tornar uma Família Acolhedora é entrar em contato com a equipe de serviço via e-mail ou telefone, para compreender os critérios adotados para a realização do acolhimento. Os contatos são (037)3216-6700, ou (037)99186-4991 e familiaacolhedoradivinopolis@hotmail.com.

Após os interessados participam de capacitação, entrevistas, recebem visitas domiciliares e é realizada uma avaliação técnica dos documentos que são apresentados após a solicitação dos técnicos.

Todo o processo de preparação conta com psicólogo e assistente social que compõem a equipe técnica do Serviço. Sempre são trabalhados temas como o apego e o desapego, tanto nas visitas domiciliares como nos atendimentos individuais onde buscam muito diálogo e acompanhamento para que todas as expectativas geradas sejam condizentes com a realidade.

 

Benefícios para as crianças e adolescentes

Entre os benefícios do acolhimento familiar, está a garantia dos direitos das crianças e adolescentes, principalmente de convivência e dos cuidados individualizados da criança ou adolescente que atravessa a etapa de afastamento de sua família de origem.

Em pesquisa realizada e intitulada Projeto de Intervenção Precoce de Bucareste (PIPB) que teve início em 2001 e foi o primeiro estudo na área da assistência social que focou nos efeitos de diferentes formas de acolhimento na vida de crianças foi realizado um estudo aprofundado de diferentes dimensões do desenvolvimento humano, tais como o desenvolvimento físico, linguagem, funcionamento social/emocional, cognição, inteligência, temperamento, capacidade de se vincular a um adulto, função cerebral, anatomia do cérebro, psicopatologia dentre outros.

Foram examinadas mais de 180 crianças e após inúmeras avaliações das crianças envolvidas no estudo, os pesquisadores verificaram que a institucionalização precoce levou a profundos déficits e atrasos nos comportamentos cognitivos (QI) e sócio emocionais (ex.: capacidade de se vincular). Houve uma incidência extremamente elevada de transtornos psiquiátricos e foram constatadas diferenças na atividade elétrica cerebral. Concluindo assim que o acolhimento familiar traz menos danos para as crianças e adolescentes do que a institucionalização.

 

Como é ser família Acolhedora?

Encerramos este texto, onde explicamos de forma resumida o projeto Família acolhedora, com um breve testemunho do casal Marcos e Pâmela, que prestaram este serviço.

“Desde que ele (o acolhido) chegou nossa rotina foi alterada, mas já percebemos mudanças para melhor em nossa casa. Até a nossa forma de dialogar como casal teve mudanças, foi um elo a mais em nosso casamento. Com o acolhimento dele temos ainda mais convívio. Novas preocupações, mas também novas experiências e alegrias. Estou me sentindo muito bem, com uma sensação de dever cumprido. Estou contribuindo para que uma criança não esteja institucionalizada e, por menor que seja minha casa, ela se tornou um lar para uma criança que não pode permanecer com sua família nesse período. Por mais que pareça que estamos ajudando de alguma forma, somos nós que também estamos recebendo muito em troca”.