Continuando nossos posts sobre espiritualidade, gostaria de partilhar uma experiência que o Senhor me concedeu como há muito tempo não acontecia durante um momento de adoração. Vamos falar um pouco sobre as três colunas que sustentam solidamente um relacionamento profundo com o Senhor.
A liturgia das horas, oração primaz da Igreja, reza, às sextas-feiras o salmo 50, no qual encontramos um precioso versículo: “Na intimidade me ensinais sabedoria”. Assim, é certo que a Sabedoria, como a mais alta das virtudes intelectuais, nos orienta ao conhecimento profundo do Sumo Bem, que é o próprio Deus. Entretanto, é do próprio Senhor que vem a verdadeira Sabedoria e não há outra forma de alcançá-la senão por uma vida unida a Deus, colhendo o Seu Divino Coração o modo de ser, de falar, de viver todas as coisas.
A intimidade com o Senhor é o caminho seguro para adquirir a Sabedoria que a Ele conduz. Se queremos ser santos, a intimidade de Deus é a via segura que nos levará a essa meta. Nossa vocação não é apenas ser salvos, mas santos. “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1 Tes 4, 3). O Senhor nos quer santos porque nos ama, porque nos fez para sermos felizes com na eternidade vivendo a vida divina, mas também a fim de que possamos colaborar com Ele no processo de salvação de muitos outros. Sim, a santidade em minha vida, na sua vida gera a salvação na vida daqueles que precisam ser alcançados por Cristo.
Diante de tudo isso, porém, nos vem o questionamento: se o caminho para a santidade é a intimidade com Deus, como viver, então, essa intimidade? Como estar seguro de que sou íntimo do Senhor?
Antes de tudo, no Evangelho de São João , o apóstolo não nomeia a si mesmo senão pelo termo “aquele que Jesus amava”, ou “o discípulo amado de Jesus”. Portanto, a certeza profunda de ser amado por Jesus Cristo é que lhe dava condições para fazer-se íntimo do Senhor. Também em nós deve existir essa consciência profundíssima, verdadeiramente inamovível de que somos amados por Deus. Filhos no Filho, devemos ter plena segurança de que o Amor do Senhor por nós transcende, transpassa pecados, traumas, mazelas, feridas, limitações. Nada, absolutamente nada é capaz de alterar o amor do Senhor por nós.
Isto posto, o primeiro traço essencial para uma vida de intimidade com Jesus é o que João fez na última ceia. Sentado que estava ao lado do Senhor, não fez cerimônia em recostar a cabeça em seu peito e, certamente, ouvir as batidas do Seu coração. Sim, João era um discípulo que se punha à escuta. Aliás, podemos entender inclusive que ele era capaz até mesmo de subjugar seu intelecto à vontade do Senhor, fosse qual fosse. João colocava-se à escuta da vontade de Deus reclinando a cabeça em seu peito como quem sabe que é amado e alguém que verdadeiramente deseja ouvir o que o Senhor tem a falar. Por outro lado, recostar a cabeça sobre o peito de alguém supõe um repouso amoroso, recolher-se de maneira terna ao lado de quem se ama.
Portanto, colocar-se à escuta do Mestre deve transformar-se num enlace amoroso, num verdadeiro diálogo de amor entre a alma e Deus. Não é possível viver de qualquer jeito essa amizade. Diz-nos Santa Teresa de Ávila que uma oração por conveniência, feita de qualquer modo, não reflete amor.
Assim, o primeiro ponto para a vivência da intimidade é uma vida de oração profunda, fundamentada numa amorosa disposição à escuta do coração do Senhor.
No próximo post, falaremos de mais um pilar essencial para uma vida de profunda intimidade com Deus.
Em Cristo Jesus


Roberto Amorim




