Na parte 1 desta série de formação, iniciando nossa reflexão sobre este tema, dizíamos que uma vida de oração constate e profunda é o primeiro pilar para a intimidade com Deus.
Um pouco mais adiante, ainda no Evangelho de João, presenciamos a cena que confirma um fruto da intimidade que o apóstolo tinha com o Senhor: a graça da perseverança. João foi o único dos discípulos que estava presente no Calvário, o único que foi capaz (estivesse consciente disso ou não) de segui-lo até o fim e, seguramente, até o momento mais horrendo e desesperador da missão de Cristo. Lembremos que a crucificação era a mais atroz forma de condenação e execução dos romanos. Some-se a isso o fato de Jesus ter sido flagelado, despido de suas vestes, coroado de espinhos, passado toda a noite anterior oprimido sob o fenômeno do suor de sangue (hematidrose), o que o debilitara ainda mais.
Enfim, João testemunhava, no Calvário, o corpo de um homem absolutamente dizimado pelo sofrimento, e não um homem qualquer, mas aquele que dera sentido à sua vida, que o fizera abandonar a profissão de pescador que exercia com seu pai e aventurar-se a ser discípulo de alguém que se declarava Filho de Deus. Imagino quantos de nós, diante de tanto sofrimento, teríamos força interior para não abandonar o Senhor, para não desistir de tudo e entrar no coro daqueles que o ofendiam e chamavam de falso messias. Toda essa firmeza de alma lhe fora dada pela intimidade conquistada, adquirida durante os três anos que se permitira amar e conquistar pelo amor do Senhor. A perseverança final não é outra coisa, portanto, senão o fruto maduro daquele que se põe à escuta do Senhor. Arrisco pensar que João viria a ter o mais belo martírio dentre todos os apóstolos, se essa fosse a vontade do Senhor para ele. Sabemos, pela tradição, que ele foi o único que não derramou o sangue em testemunho do Evangelho, mas certamente a sua intimidade com Deus teria lhe dado a graça de perseverar até à morte.
Assim, João foi capaz de abraçar o sofrimento ao lado do seu Senhor, assumir a cruz e, misticamente, carregá-la junto com o Salvador. Abraçou o martírio da alma ao ver o seu Amado ser morto e ofertar a própria vida por amor aos homens, e o quanto isso não pode ser, para nós, motivo de júbilo. A dor assumida por amor a Cristo já não é sofrimento, mas predestinada escolhe que ao Senhor nos une.
Então, ao lado de uma vida de oração profunda, está o amor à Cruz do Senhor como pilar de uma fecunda vida de intimidade com Ele.
No próximo post, concluiremos nossa reflexão com o último ponto para uma vida de profunda intimidade com o Senhor.
Em Cristo Jesus


Roberto Amorim




