A Páscoa inspira fraternidade
Dando sequência às suas audiências de quarta, o Papa Leão XIV traz uma visão esperançosa e necessária para os tempos atuais: a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo inspira a fraternidade, nos chama a cultivar e a praticar a bondade mútua, uma vez que todos foram redimidos pelo sangue do Cordeiro: todos somos irmãos.
O ser humano precisa da relação humana, a princípio por uma questão de sobrevivência, já que uma criança é dependente de alguém que a alimente, que a faça dormir, que a limpe, que a eduque. Deus nos ensina esta verdade clara ao tornar-se uma criança dependente da própria criatura. Nossa primeira comunidade é a família, onde damos os primeiros passos nas relações humanas, que seguem para a comunidade de amigos, da Igreja, da escola, do trabalho, entre tantos outros conjuntos de pessoas, através das quais Deus nos ensina o valor de experimentar laços autênticos, de compreender e aprender com as diferenças, de ir ao encontro do outro que sofre e permitir-se ser acolhido quando se está no sofrimento.
E há dois grandes perigos quanto à vida fraterna: a tentação do isolamento e da autossuficiência, muitas vezes frutos de traumas e medos causados por más relações, porém que nos levam a uma solidão ainda mais devastadora, uma vez que o ser humano precisa das relações humanas. O segundo perigo é o narcisismo, um olhar para as relações humanas buscando apenas o próprio interesse: tirar o que puder do outro sem jamais doar.
O mundo questiona se a fraternidade é possível em tempos de guerras e conflitos; discussões intermináveis, sentimentos de ódio e rancor a cada dia são mais cultivados. Em meio às trevas, Cristo Ressuscitado é Aquele que nos leva à luz, Aquele que nos irmanou, nos tornou irmãos, como recorda um cântico litúrgico de Páscoa:
CRISTO RESSUSCITOU,
O SERTÃO SE ABRIU EM FLOR,
DA PEDRA ÁGUA SAIU,
ERA NOITE E O SOL SURGIU,
GLÓRIA AO SENHOR!
VOCÊS QUE TRISTES ESTÃO,
QUE GEMEM SOB A DOR,
NA DOR DE SUA PAIXÃO,
DEUS SE IRMANOU.
(Letra: Reginaldo Veloso)
A palavra irmão vem de germano, verdadeiro, que traz um grande significado histórico sobre cuidado, apoio, sustento, preocupação. Ser irmão é olhar para o outro como Cristo olharia: é ver que, se eu posso ser alívio para seu sofrimento, eu o serei. Se posso ser alegria, descanso, companhia, oração, eu posso e devo ser — não para conseguir alguma vantagem, mas porque este irmão foi redimido como eu fui.
Na carta encíclica Fratelli Tutti, o Papa Francisco recorda seu onomástico, São Francisco de Assis, e sua relação com a criação: colocava todos os seres humanos no mesmo patamar, sem distinções, tratando-os como irmãos, mesmo aqueles que o perseguiam, recordando de Nosso Senhor: Eu, porém, vos digo, amai os vossos inimigos (Mt 5,44).
Desejo ardentemente que, neste tempo que nos cabe viver, reconhecendo a dignidade de cada pessoa humana, possamos fazer renascer, entre todos, um anseio mundial de fraternidade. Entre todos:
«Aqui está um ótimo segredo para sonhar e tornar a nossa vida uma bela aventura. Ninguém pode enfrentar a vida isoladamente (…); precisamos de uma comunidade que nos apoie, que nos auxilie e dentro da qual nos ajudemos mutuamente a olhar em frente. Como é importante sonhar juntos! (…) Sozinho, corres o risco de ter miragens, vendo aquilo que não existe; é juntos que se constroem os sonhos».
(Papa Francisco – Fratelli Tutti)
O acolhimento universal ao qual o Papa Francisco tanto falava é a essência do Cristianismo e da Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo: a salvação foi para todos. Ele deu a vida por nós para que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou. Após a Ressurreição, as primeiras comunidades cristãs tornam-se verdadeiras fraternidades, partilhavam com todos a alegria da Ressurreição, viviam unidas e tudo colocavam em comum (At 2,44).
Cristo, nossa esperança de um mundo mais fraterno, vinde em nosso auxílio. Visitai com vossa luz as nossas almas, manchadas pelo pecado do egoísmo, do isolamento, do orgulho, que nos afasta daqueles que são os nossos irmãos. Vinde em auxílio da humanidade que vive em guerra, em ódio constante, cujos conflitos custam a vida de muitos inocentes. Que cada um de nós recorde, a cada dia, o verdadeiro significado da palavra irmão.
A fraternidade concedida por Cristo morto e ressuscitado liberta-nos da lógica negativa dos egoísmos, das divisões e das prepotências, e reconduz-nos à nossa vocação original, em nome de um amor e de uma esperança que se renovam todos os dias. O Ressuscitado mostrou-nos o caminho a percorrer com Ele, para nos sentirmos, para sermos “todos irmãos”.
(Papa Leão XIV)
REFERÊNCIAS
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LEÃO XIV, Papa. Ciclo de Catequese – Jubileu 2025. Jesus Cristo, Nossa Esperança. 4. A espiritualidade da Páscoa inspira a fraternidade. «Que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei» (ver Jo 15,12). Disponível em: https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/audiences/2025/documents/20251112-udienza-generale.html. Acesso em: 12.11.2025.
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FRANCISCO, Papa. Carta Encíclica Fratelli







