Ao avaliarmos a nossa fraqueza ante as dificuldades e o que devemos superar para alcançar a santidade, é normal desanimarmos. Entretanto, viver no espírito da fé concede a essa alma uma grande fortaleza, que permite que uma alma, por mais pequena que seja, vença grandes obstáculos.
Nosso Senhor Jesus prometeu que nada será negado a quem pede com fé. Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que fiz com a figueira, mas se disserdes a este monte: ‘arranca-te e lança-te ao mar’, isto aconteceria. Tudo quanto pedirdes com fé na oração, vós o recebereis. (Mt 21, 21-22).
São Tiago reforça: Se algum de vós se considera carente de sabedoria, peça-a a Deus, que a concede a todos generosamente e sem reprovação, e lhe será concedida. Mas peça com fé, sem nenhuma vacilação, pois quem vacila é semelhante às ondas do mar, movidas pelo vento e levadas de um lado para o outro. Um homem assim não pense que receberá alguma coisa de Deus. (Tg 1,5-7)
Baseado na promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo e na fala de São Tiago, podemos concluir que: existem orações que são infalíveis, que nunca irão falhar. Mas também existem orações estéreis, ainda que se utilize de muitas palavras, nada alcançará. Deus quer nos conceder muitas graças e quer nos conceder em abundância. Infelizmente não sabemos o que pedir e como pedir. Insistimos em querer o que não é para nós. Falta-nos o espírito da fé. E como realizar a oração infalível? Quatro condições são essenciais:
- Deve ser para si mesmo: não que seja errado rezar pelos outros, muito pelo contrário. Mas não há como garantir eficácia na oração por outra pessoa, não se sabe se ela está aberta à graça.
- Pedir o que for necessário a salvação: colocar no céu o nosso verdadeiro tesouro. Tudo o que aqui fazemos deve-se ter como fim a nossa salvação, a nossa feliz eternidade. E quanto nossa oração é feita tendo em vista a nossa salvação, ela será infalível. Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará coisas boas a quem as pede (Mt 7,11)
- Pedir com humildade: reconhecer a quem você se dirige na oração. Rezar com intimidade e respeito, sem máscaras e sem hipocrisias e reconhecendo que Nosso Senhor é quem irá lhe conceder as graças que precisa para a sua salvação. Atenção a postura na oração, cuidado com distrações.
- Fervor e perseverança: ser constante na oração, não cessar de pedir até obter, pela importunação (Lc 11,5-8).
O espírito da fé viva é capaz de grandes obras, por mais improváveis que sejam, desde que seja para a glória de Deus e para a salvação das almas. O espírito de fé nos concede tesouros que seriam ineficazes se não correspondêssemos as exigências. E é pela própria fé viva que conseguimos ser fieis e constantes, por ela dominar completamente o nosso coração. Pela fé viva, somos capazes de renunciar a nós mesmos, nossos caprichos, orgulhos, ansiedades, medos e abrir-nos cada vez mais a graça, que nos leva a caminhos que jamais imaginaríamos caminhar. A fé estimula nossa esperança, de que nada faltará, pelo contrário, de que tudo teremos e mais um pouco. Em vista da eterna felicidade, esquecemos das dificuldades e dos trabalhos para fixar nossa atenção no céu que nos aguarda. Foi a fé viva que foi o sustento dos mártires, dos cristãos que permanecem firmes mesmo diante dos escândalos de outros cristãos.
Que nossa fraqueza não seja motivo para nossa covardia e frouxidão, mas com a fé viva, obter todos os meios necessários para vencer as tentações e bajulações do mundo e da carne e das mentiras do demônio, perito em causar intrigas, divisões e discórdias, colocando em nós o medo e a desconfiança, mantendo a verdade no oculto. Pela fé viva, a sombra não nos assusta, pois caminhamos, de mãos dadas com Deus para a eterna luz.
Felipe Mendes
Missionário da Missão Maria de Nazaré
REFERÊNCIAS
-MARÍN, Antônio Royo. A espiritualidade dos leigos. Tradução de Antônio Carlos Santini. 1 ed. Campinas-SP: Ecclesiae, 2023.








