A primeira certeza que devemos ter acerca da santidade é que, sem ela, não podemos entrar no céu. Só entra no céu quem é santo. A santidade é a nossa vocação inicial.
Se eu tenho uma experiência com Deus, essa experiência precisa me levar a ser santo, ou isso é apenas uma devoção — e não uma experiência. Muitas pessoas, hoje em dia, vivem uma realidade de devoção com Deus, e não uma experiência. Devoção nós devemos ter com os santos. Com Deus, o que devemos buscar é a experiência de intimidade, de relacionamento, permitir que Ele opere em nossa vida e buscar uma vida verdadeira e completamente entregue a Deus, e não somente uma devoção.
Mas as pessoas confundem devoção com essa vida de intimidade com Deus. Nós, consagrados, somos chamados a essa vida de intimidade com Deus, não apenas a uma devoção. E, para isso, precisamos compreender como é que isso funciona.
Num dos últimos estudos que fiz para ministrar outra formação, o Catecismo nos ensina que a Igreja nos dá os caminhos necessários para que tenhamos um encontro pessoal, íntimo e próximo de Deus. Por isso, temos de contar com a graça de Deus.
A primeira coisa que precisamos compreender é que a santidade, apesar de difícil, é possível — mas não apenas com as forças humanas; ela é alcançável somente pela força divina.
Em cada ser humano existe uma presença divina. Deus, quando nos criou e soprou em nós a vida, deu-nos essa presença divina. Ela existe até mesmo nos seres humanos que não são batizados, porque também eles foram criados por Deus e, assim, existem neles rastros de Deus. Portanto, mesmo aquele que nunca frequentou a Igreja ou nem sequer foi batizado, dentro dele há uma presença divina.
Na criação inicial — o momento em que Deus cria o mundo, o homem, todas as coisas — Deus colocou um projeto sobre essa criação. Contudo, em muitos momentos, esse projeto foi deturpado pelo homem por meio do pecado, o que foi modificando esse projeto.
Entretanto, além da criação inicial, a Igreja ensina — e nós cremos — na existência da chamada Criação Atual, da qual também Deus é o Criador. Para compreendermos do que se trata: a criação inicial está completada, toda pronta. Deus não criará outro mundo diferente deste mundo material.
No mundo espiritual, no entanto, a todo momento Deus permanece criando, ou seja, proferindo uma Palavra de criação continuamente.
Quando clamamos a Deus pela sua presença, é Ele quem cria aquele momento espiritual. A criação da espiritualidade, em
DEUS, acontece a todo momento.
criados por Deus quando Ele colocou a alma em nós. Mas, na dimensão espiritual, nossa alma experimenta o que chamamos de graça atual, ou seja, tudo o que a nossa alma necessita ainda não está criado. Tudo o que precisamos vai sendo criado por Deus à medida que necessitarmos e nos aprofundarmos na fé, por meio das nossas experiências de intimidade com Deus.
Isso se dá em razão da nossa liberdade, do nosso livre-arbítrio. Se Deus já houvesse criado tudo o que nos fosse necessário, nosso destino já estaria selado e estaríamos predestinados a tudo — inclusive ao dia em que morreríamos.
Muitos de nós dizemos, inclusive, que “só Deus sabe o dia em que morreremos”, mas um fato interessante é que, mesmo sem sabermos, nós podemos mudar esse dia. A partir da escolha que faço hoje, eu sou capaz de mudar o meu amanhã. E, se isso acontece, a criação atual atua em mim enquanto espiritualidade, alma, graça








