A Conversão pela Verdade
[Uma conversão verdadeira] precisa ser muito mais do que somente a emoção de um momento de oração, especialmente porque tornou-se comum achar que uma pregação só é boa quando o povo chora, ou que um momento de oração foi bom se houve repouso no Espírito. É algo nosso: gostamos de ver esses sinais.
No entanto, Santo Agostinho nos ensina que a conversão só acontece quando a pessoa se decide pela Verdade — e essa decisão não passa pelos sentimentos ou emoções, mas pela inteligência. Por isso, durante um retiro, o mais importante não é simplesmente o momento de oração, mas o anúncio da Palavra, porque é ela que pode convencer a pessoa da Verdade através de sua inteligência.
De nada adianta termos maravilhosos momentos de oração se a nossa inteligência não se encontra com a Verdade. A decisão só é verdadeira quando tem sentido, e isso só acontece quando estou convencido e adiro a ela pela minha inteligência.
Não se trata de ser meramente racional ou de ter explicação para tudo. Mas, por exemplo, uma pessoa que se decide a viver a castidade só pode afirmar que vive essa virtude verdadeiramente quando toma uma decisão fundamentada na vontade iluminada pela inteligência. Se essa escolha for baseada apenas em sentimentos, ela será passageira, pois os sentimentos mudam. Não existe decidir pela castidade acreditando que, a partir daquele dia, nunca mais terá tentações ou desejos. A decisão precisa passar pela inteligência.
Portanto, o anúncio da Verdade é muito mais do que emoção ou oração. O momento de oração abre o coração, mas a verdadeira decisão nasce do conhecimento da Verdade. Precisamos anunciar a Verdade.
O próprio Santo Agostinho viveu uma conversão diferente da maioria dos santos. Ele era pagão e trabalhava de modo semelhante a um advogado dos tempos atuais: atuava nos tribunais, convencia com sua oratória, era muito articulado, estudioso e inteligente. Em sua busca pelo conhecimento e pela verdade das coisas, deparou-se com a Verdade que é Cristo. Não viveu um êxtase emocional, mas um encontro com a Verdade que transformou sua vida.
Agostinho se aprofundou tanto no conhecimento que percebeu que tudo só encontrava sentido em Cristo. Tornou-se um dos homens mais estudados da história — por cristãos, pagãos e até ateus, que ainda hoje o estudam nas universidades.
Por isso, é tão importante que nós, que buscamos a santidade, também busquemos o conhecimento das coisas de Deus. Só viveremos uma santidade verdadeira se a nossa inteligência estiver convencida da Verdade. Caso contrário, seremos apenas “santos de sentimentos”, e isso não nos levará a lugar algum.

Eduardo Rivelly
Fundador da Comunidade Católica Missão Maria de Nazaré







