No texto faz referencia ao 19º Domingo do Tempo Comum, pois foi à época que ele foi escrito..
Na História do Povo de Deus houve um período de 40 anos no deserto rumo à terra prometida por Deus. Nesta longa viagem, interior e exterior, o homem deveria purificar-se para entrar na terra santa. No deserto, onde não havia alimento, Deus fez cair do céu pão para o seu povo. Era o maná. Dos que comeram o maná, muitos entraram na terra santa, mas todos, cedo ou tarde, morreram. Séculos depois, na plenitude dos tempos, Deus envia para o seu povo e para toda a humanidade, um alimento superiormente melhor, o Pão descido do Céu. Porém, atenção! Este pão é remédio de imortalidade e quem dele se alimenta já não estará sujeito às amarras da morte e será conduzido à terra santa definitiva, o Céu!
Neste 19º Domingo do Tempo Comum, a liturgia nos oferece este trecho do Evangelho segundo João (6, 41-51) em que Cristo fala de si mesmo como o Pão que desceu do Céu. Esta afirmação causa o murmúrio dos judeus que não conseguem enxergar a divindade de Cristo e vem nele somente o homem, o filho de José. Estes judeus que murmuravam estavam dominados por uma espécie de miopia espiritual, pois não foram capazes de enxergar em Cristo, o Deus encarnado. Viam em Nosso Senhor apenas a humanidade. Estavam tomados de uma miopia tão profunda que, diante de tantos sinais e prodígios, como a cura de doenças gravíssimas e incuráveis e até a ressurreição de mortos, como no episódio de Lázaro, não foram capazes de abrir os olhos do coração à realidade invisível da natureza divina de Cristo. Faltou-lhes a fé!
Outro ponto interessante para a nossa reflexão é sobre o alimento, o pão. O alimento não serve apenas para sustentar-nos materialmente, como se fôssemos animais irracionais. A comida é algo que reúne as pessoas, que forma comunidade, que congrega os homens e mulheres em volta de uma mesa e transforma a vida em partilha. O pecado entra no mundo pelo mau uso que se fez de um alimento. Deus advertiu o homem de que não deveria comer determinado fruto. Este fruto, poderíamos dizer, é o fruto da soberba e do orgulho. Mas o homem desobedeceu e quis comer do alimento que não deveria e, então, caiu na morte. Com o fruto proibido o pecado entra no mundo. Com o alimento descido do Céu o pecado é vencido e a vida restaurada. Cristo, na Quinta-feira Santa, antecipando de modo incruento, isto é, sem derramamento de sangue, aquilo que aconteceria nos três dias seguintes, dá-se a nós como alimento de vida eterna. Por amor, pela nossa salvação, Cristo se parte, se imola e se dá como verdadeira comida e verdadeira bebida, para saciar a nossa fome e sede de Deus, nos fazendo participantes da vida divina.
A Eucaristia, ação de graças do Filho ao Pai, entrega amorosa no alto da Cruz, morte que vence a morte para nos dar Vida plena, eis em resumo a mensagem do Evangelho de hoje. Peçamos a graça de uma fé firme e profunda na Santíssima Eucaristia, fonte inesgotável de graças e dons que Cristo, em cada Santa Missa, oferece a todos nós. Amém!
Padre João Dias Rezende Filho
Texto publicado em 12 de agosto de 2012, pelo então seminarista João Dias







