São Paulo, na sua primeira carta aos Coríntios, cap. 6, exorta e dá àquela comunidade um ensinamento sobre o corpo:
“Irmãos, o corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo. Fugi da imoralidade. Em geral, qualquer pecado que uma pessoa venha a cometer fica fora do seu corpo. Mas o fornicador peca contra o seu próprio corpo. Ou ignorais que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que mora em vós e que vos é dado por Deus? E, portanto, ignorais também que vós não pertenceis a vós mesmos? De fato, fostes comprados, e por preço muito alto. Então, glorificai a Deus com o vosso corpo.” (I Cor 6, 3, 18-19.
O ser-humano não foi criado para a imoralidade. “O corpo não é para a imoralidade” (cf. v. 13), mas para amar. Somos imagem e semelhança de Deus. E quem é Deus? “Deus é amor.” (I Jo 4, 18). Portanto, se somos imagem de Deus e Deus é amor, fomos criados para amar.
Eis a nossa finalidade, eis para o que fomos criados. Amar a Deus, unirmo-nos a Ele pelo amor e não perdermo-nos na imoralidade.
Mas Deus, em sua infinita sabedoria, deu-nos um meio, um instrumento, para alcançarmos esse fim. O médico tem a finalidade de salvar vidas e, para isso dispõe de vários instrumentos: medicamentos, estetoscópio, bisturi. Eis a finalidade do médico e o instrumental de que necessita.
Do mesmo modo, o homem possui instrumento para amar, para expressar amor e para unir-se a Deus, e ser santo: o seu próprio corpo.
Cada qual em sua vocação glorifica a Deus com o seu corpo. O celibatário, dispondo seu corpo integralmente ao Senhor, doa seu tempo, sua energia, suas forças, totalmente ao povo de Deus, seja celebrando a Eucaristia, atendendo confissão, como sacerdote; entregando sua vida em oração e serviço como um consagrado ou leigo, ou no dizer do mesmo São Paulo: “a jovem solteira tem zelo pelas coisas do Senhor e procuram ser santas de corpo e espírito.” (I Cor 7, 34).
Os que se casam, em uma doação mútua, inclusive corporal e integral, dão-se um ao outro. Dão tudo que têm, inclusive a si mesmos. O homem é chamado a dar a vida como Cristo, até à morte se preciso for, pela sua esposa, e a mulher, submissa ao marido, sustentando-o na missão de dar a vida (cf. Ef 5, 21-26).
Portanto, nas duas formas de realização da vocação humana, seja o celibato ou o matrimonio, o ser humano é chamado e, mais do que isso, tem em sua vocação o meio para glorificar a Deus com o seu corpo.
Por fim, dizia o Monsenhor Pascal Ide, um dos maiores especialistas em Teologia do Corpo, na sua obra “Dans il Theologie du Corp”: “o dom [doação] é a verdade essencial do corpo”.


Emanuel de Jesus




