Esperar na vida para gerar vida
Na quarta-feira, dia 27 de novembro de 2025, o Papa Leão XIV realizou a audiência geral do ano litúrgico, dentro do tema “Cristo, Nossa Esperança”. Nessa audiência, ele trouxe a ressurreição de Jesus para as nossas vidas e para o chamado que Deus nos faz de nos tornarmos homens novos. A ressurreição de Jesus não foi uma reanimação de um defunto, mas a vitória do Deus que se fez homem sobre a morte. Com esta vitória, Cristo glorifica o ser humano decaído e se faz caminho de salvação, horizonte de esperança.
O Papa Leão recorda que a vida é um dom, não um direito ou uma escolha. Desde o primeiro instante até o fim, experimentamos intensamente esse dom de Deus, com o qual devemos cuidar com zelo e amor. E só é possível cuidar da vida quando entendemos o seu sentido; afinal, entramos nessa viagem não por nossa iniciativa, mas sabemos que existe um fim. A esperança é o que nos move diante do sofrimento, recordando as palavras de Jesus: “É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida” (Lc 21,19).
“Tenho pra mim que o sofrimento da presente vida não tem proporção com a glória futura que os santos já vivem.” (Eliana Ribeiro – Determinada Decisão)
Entretanto, o Santo Padre denuncia que há uma doença generalizada no mundo: “a falta de confiança na vida”. Vive-se como se estivéssemos em um meio entre o “não existir” e o “deixar de existir”. Mas o Senhor ama a vida (Sb 11,26) e se fez um de nós para nos dar a vida em plenitude. O amor de Deus pela vida se manifesta na cura dos doentes, não apenas dos males espirituais, mas também corporais. O Senhor que trouxe o perdão dos pecados trouxe também a recuperação da vista aos cegos, fez os coxos andarem, os mudos falarem e os mortos ressuscitarem. Devolve aos pecadores a sua dignidade e chama aqueles que foram excluídos da salvação por aqueles que dela se acham donos.
Com a queda do ser humano, instaurou-se uma cultura de morte: a vida do outro torna-se uma ameaça, o que dá fruto à inveja, ao ciúme e ao desejo de vingança. Mas a lógica de Deus é oposta: Ele é fiel ao seu desígnio de gerar vida nova e sustenta a humanidade mesmo em seus piores pecados. Quando o ser humano exerce a maternidade e a paternidade, ele se torna sinal deste desígnio de Deus para o amor e a vida: a renúncia a si mesmo, de modo concreto e abnegado, para o bem de quem está próximo.
“Irmãs e irmãos, a Ressurreição de Jesus Cristo é a força que nos sustenta neste desafio, mesmo onde as trevas do mal obscurecem o coração e a mente. Quando a vida parece esmorecida, bloqueada, eis que o Senhor Ressuscitado volta a passar, até ao fim dos tempos, e caminha ao nosso lado e por nós. Ele é a nossa esperança!” (Papa Leão XIV)








