Você acorda e já sente o peso das tarefas do dia. A lista de preocupações parece não ter fim. Mal abre os olhos e já está pensando: como vou dar conta de tudo? E se eu disser que existe um caminho para enfrentar esse caos com paz interior?
Edith Stein, santa e filósofa, nos ensina sobre uma disposição profunda da alma que precisa ser ao mesmo tempo larga e vazia, ampla e aquietada, quente e clara. Mas como alcançar isso em meio à correria? A resposta está no momento de quietude.
Nossa alma vive repleta de pensamentos e preocupações. Mal despertamos e já somos assaltados pelos deveres do dia. A tentação é sair correndo, lançar-nos imediatamente na correria cotidiana. Mas é justamente nesse momento que precisamos tomar as rédeas e dizer com firmeza: calma.
Nada deve atingir-nos antes de dedicarmos nossa primeira hora a Deus. Não se trata de técnica espiritual, mas de uma afirmação fundamental: nossa vida não nos pertence. Ao colocar Deus em primeiro lugar, todos os demais aspectos encontram seu lugar adequado.
Quando começamos o dia após a celebração eucarística ou após um momento de oração, reinará em nós uma quietude solene. Nossa alma estará vazia de tudo o que pretendia sobrecarregá-la, mas repleta de santa alegria, de coragem e vigor.
Chegamos ao meio-dia esgotados. Onde ficou aquela disposição matutina? Novamente brotam inquietações, revoltas, desgostos. E ainda falta tanto a ser feito até a noite. Não. Antes de tudo, precisamos recolher-nos novamente a um momento de quietude.
Se possível, despeje suas preocupações diante do Sacrário. Se não, respire um pouco no próprio quarto. E, se não houver possibilidade de tranquilidade externa, feche, durante uns instantes, tudo o que vem de fora e refugie-se no Senhor. Ele está presente e pode dar-nos, num breve momento, o que precisamos.
Quando chega a noite e tudo não passou de obras inacabadas, quando tanto nos causa vergonha, devemos aceitar tudo como é. Nossa cultura exige perfeição constante, mas a espiritualidade cristã nos ensina algo diferente: colocar tudo nas mãos de Deus e confiar.
Cada dia pode ser verdadeiramente um novo começo, porque não somos definidos por nossos fracassos de ontem, mas pelo amor que nos acolhe sempre de novo.
Não existe fórmula única. Cada pessoa precisa conhecer-se, discernir seus próprios ritmos, descobrir os recursos espirituais mais fecundos para este momento de sua vida.
O momento de quietude não é técnica de autoajuda ou gerenciamento de estresse. É um caminho de abertura à graça, de esvaziamento do eu, para que Deus possa habitar em nós plenamente. É a prática concreta daquela máxima evangélica: Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará.
Ao renunciarmos a ser senhores absolutos de nosso tempo, perdemos nossa vida e, paradoxalmente, a encontramos verdadeiramente: larga e vazia de si mesma, quente e clara, transfigurada pela presença divina.
Deus nos abençoe!








