Chegou o mês de julho, mês das tão esperadas férias!
O mês de férias apresenta alguns grandes desafios para os jovens que buscam viver uma vida em Deus. É um tempo muito bom de descanso, mas, também é um tempo em que devemos estar vigilantes para crescermos mais no amor.
A mudança na rotina pode nos tornar menos dispostos, mais preguiçosos e isso pode afetar a nossa vida de oração! E, sem o nosso alimento espiritual, nos sentiremos mais fracos para lutar contra as nossas más inclinações e contra as tentações que aparecem durante esse tempo.
Isso é algo que todos os jovens podem passar, mas… Os jovens que buscam a Deus devem buscar os meios para viver esse tempo de férias de forma boa e saudável, colhendo muitos bons frutos na sua vida espiritual!
Para ajudá-los nesse desafio, trouxemos os conselhos escritos por um grande santo que dedicou seu sacerdócio para cuidar da juventude: São João Bosco.
Eis as quatro coisas que o jovem deve evitar, que Dom Bosco deixou em seus escritos, retirado de “Carta aos jovens de todos os tempos”. Esperamos que esses conselhos possam te ajudar a ser fiel durante esse período de férias!
1°- Evitar o ócio
Um grande laço que o demônio estende para a juventude é o ócio, origem funesta de todos os vícios.
Convencei-vos pois, caríssimos, de que o homem nasceu para o trabalho; e quando foge dele, está fora de lugar e corre grande risco de ofender a Deus.
O ócio é, segundo o Espírito Santo, o pai de todos os vícios. E, o trabalho os combate e vence a todos.
O maior tormento dos condenados, no Inferno, é pensar que perderam o Céu por terem passado no ócio a maior parte do tempo que Deus lhes tinha dado para se salvarem.
Pelo contrário, os bem-aventurados no Paraíso têm o maior consolo em se lembrarem de que um pouco de tempo empregado no serviço de Deus lhes valeu a eterna felicidade.
Não pretendo, é claro, que vos ocupeis desde a manhã até à noite sem descanso algum; só quero o vosso bem, e de bom grado aceito diversões razoáveis em que não haja ofensa a Deus.
Mas sempre recomendo preferir as distrações que possam ser de utilidade, como por exemplo o estudo da História ou da Geografia, as artes, os trabalhos manuais etc. Com isso podeis vos distrair, e ao mesmo tempo adquirir conhecimentos úteis e contentar vossos superiores.
Podeis também divertir-vos com jogos e entretenimentos lícitos, úteis para recrear o espírito e o corpo; mas não tomeis parte neles sem antes ter pedido a devida licença.
São preferíveis os jogos que requerem agilidade e destreza corporal, por serem os mais convenientes para a saúde. Ao jogá-los, evitai os enganos, as trapaças, as pequenas fraudes, os gestos brutos, as palavras que produzem discórdias e ofendem a vossos companheiros.
Tanto no jogo como na conversação ou no cumprimento de qualquer dever, levantai de quando em quando vosso coração a Deus e oferecei tudo para sua maior honra e glória, como recomenda o Apóstolo São Paulo.
São Luís de Gonzaga foi interrogado certa vez, enquanto brincava alegremente com seus amigos, o que faria se lhe aparecesse um Anjo e avisasse que quinze minutos depois deveria comparecer diante do tribunal de Deus.
O Santo respondeu sem vacilar que continuaria brincando, e acrescentou: “tenho certeza, de com estes divertimentos, estar fazendo a vontade do Senhor”.
O que vos recomendo instantemente, em vossos passatempos e recreios, é fugir dos maus companheiros como da peste.
2°- Evitar as más companhias
Há três tipos de companheiros: uns são bons; outros são maus; e outros, por fim, não são nem uma coisa nem outra.
Deveis procurar a amizade dos bons, a qual só vos trará vantagens; evitai absolutamente os maus; quanto aos últimos, tratai-os quando for necessário, mas evitando toda a familiaridade.
Como reconhecer os maus amigos? Prestai atenção, meus filhos, e logo sabereis quais são eles. Todos os que não se envergonham de manter na vossa presença conversações obscenas e de pronunciar palavras de duplo sentido ou escandalosas; os que mentem ou fazem murmurações; os que proferem juramentos, imprecações e blasfêmias; os que procuram vos afastar da piedade; os que vos aconselham o roubo, a desobediência a vossos pais e o esquecimento de vossos deveres — todos esses são péssimos amigos, servidores de satanás, e deles deveis fugir mais do que da peste ou do próprio demônio.
Ah! meus caros, com lágrimas nos olhos vos suplico que detesteis e eviteis semelhantes companhias.
Ouvi a voz do Senhor, que diz: “Aquele que anda com os sábios será sábio; e o amigo dos insensatos tornar-se-á semelhante a eles” (Provérbios 13,20).
Fugi de um mau companheiro “como da vista de uma serpente venenosa” (Eclesiástico 21,2).
Em resumo, se vos unis aos bons, eu vos asseguro que ireis com eles ao Paraíso; pelo contrário, se vos juntais aos maus, sereis desgraçados e acabareis por perder irreparavelmente a alma.
Alguém talvez dirá: “São tantos os maus companheiros, que seria preciso abandonar o mundo para fugir deles”. Eu bem sei que os maus companheiros são numerosos, e precisamente por isso vos recomendo com tanta insistência que fujais deles. E se por esse motivo ficais isolados, felizes de vós, pois tereis como companheiros a Nosso Senhor Jesus Cristo, a Santíssima Virgem e ao Anjo da Guarda. Haveria melhores amigos do que esses?
Podeis, não obstante, ter bons amigos, e os encontrareis entre aqueles que frequentam a Confissão e a Comunhão, que comparecem à igreja, que com suas palavras e exemplos vos animam ao cumprimento de vossos deveres e vos afastam de tudo o que pode ofender a Deus.
Estreitai relações com eles, e obtereis grande proveito. Davi e Jonatas chegaram a ser bons amigos, com vantagens recíprocas, porque se animavam mutuamente na prática da virtude.
3°- Evitar as más conversações
Quantos jovens se encontram no Inferno por terem caído em más conversações! São Paulo pregava já essa verdade, quando dizia que as coisas impuras não deviam nem sequer nomear-se entre os cristãos, pois são a ruína dos bons costumes: as más palavras corrompem os bons costumes.
Comparai vossas conversas a uma comida deliciosa: por mais bem preparada que ela seja, se cai nela uma gota de veneno, basta isso para matar os que a comem.
O mesmo acontece com as conversações obscenas: uma palavra, um gesto, uma brincadeira bastam por vezes para ensinar o mal a um jovenzinho, e até por vezes a muitos que, tendo vivido até então como inocentes cordeiros, perdem a graça de Deus e se convertem em desgraçados escravos de satanás.
Alguém poderá dizer: “Já sabemos as funestas consequências das conversas impuras, mas que fazer? Estamos numa escola, numa loja, num negócio ou num emprego onde temos que trabalhar, e ali ouvimos tais conversas”.
Sei muito bem, meus caros jovens, como são esses lugares; e por isso quero vos dar uma norma de conduta para que possais sair da dificuldade sem ofender o Senhor.
Se os que têm más conversas são vossos inferiores, repreendei-os severamente. Se não podeis fazê-lo por causa de sua posição, procurai afastar-vos deles; e se isso não for possível, evitai completamente de tomar parte na conversa deles, nem falando nem sorrindo; e, dirigindo-vos a Nosso Senhor, dizei-Lhe internamente: “Meu Jesus, misericórdia!” Se, apesar de todas essas precauções, ainda vos sentis em perigo de ofender a Deus, eu vos darei o conselho de Santo Agostinho, que diz: “Foge, se queres cantar vitória!”
E melhor fugir, abandonar o posto, a escola, o emprego e o trabalho, até mesmo sofrer todos os males do mundo, antes que permanecer entre pessoas que põem em perigo a salvação da tua alma; porque, como diz o Evangelho, mais vale ser pobre e desprezado, mais vale que nos cortem os pés e as mãos, que nos arranquem os olhos, e chegar assim ao Céu, do que possuir tudo o que desejamos no mundo e nos perdermos eternamente
Provavelmente falarão e se rirão de vós, mas não importa, pois um dia chegará em que as brincadeiras e as risadas dos ímpios serão trocadas por lágrimas no Inferno, e os desprezos que sofreram os bons se transmutarão em eternas alegrias no Paraíso: “A vossa tristeza há de converter-se em alegria” (São João 16,20).
Convencei-vos, ademais, de que vossa retidão obrigará os próprios que vos desprezaram a reconhecer vossa sensatez, e por fim ficarão em silêncio.
Ninguém se atrevia a pronunciar palavras desonestas na presença de São Luís de Gonzaga; e se ele se aproximava no momento em que se proferia alguma, cortavam todos aquela conversação dizendo:
“Silêncio, está chegando Luís”.
4°- Evitar os escândalos
A palavra escândalo significa tropeço, e é chamado escandaloso quem, com suas palavras ou ações, dá aos demais ocasião de ofender a Deus.
O escândalo é um pecado abominável, pois rouba a Deus as almas que Ele criou para o Céu e resgatou com o Sangue precioso de Jesus Cristo, e as entrega nas mãos do demônio, enviando-as para o In-ferno. Por isso, o escandaloso pode ser designado como verdadeiro ministro de satanás.
Quando o demônio já empregou inutilmente todos os seus ardis para seduzir um jovem, costuma servir-se finalmente dos escandalosos.
Com que enorme número de pecados carregam a própria consciência aqueles que escandalizam na igreja, na rua, no colégio ou em qualquer outro lugar!
Quanto maior é o número das pessoas que es-candalizaram, tanto maior e mais tremenda é sua culpa aos olhos de Deus. E que dizer dos que levam a perversidade até ao ponto de ensinar o mal a almas inocentes? Ouçam esses desgraçados a sentença que lhes deu um dia o Salvador:
“O que escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe seria que lhe pendurassem ao pescoço a pedra de um moinho, e o lançassem ao fundo do mar” (São Mateus 18,6).
Quantas almas que hoje irremissivelmente se condenam ao Inferno, chegariam ao Paraíso se fosse possível eliminar do mundo os escândalos!
Evitai, pois, essa raça de criminosos, fugindo deles como do próprio demônio. Uma menina de tenra idade, ouvindo certa vez palavras escandalo-sas, disse com acerto ao que as proferia: “Fora da-qui, diabo maldito!”
Se vós, meus caros jovens, quereis ser verdadeiros amigos de Jesus e Maria, deveis não só fugir dos escandalosos, mas esforçar-vos por reparar, com o vosso bom exemplo, o grande mal que eles fazem às almas.
Sejam, pois, boas e modestas vossas conversa-ções; sede devotos na igreja, obedientes e respeitosos para com vossos superiores. Oh! quantos companheiros vos imitarão, caminhando convosco pela senda do Paraíso! Podeis estar seguros de salvar-vos com eles; porque, como diz Santo Agostinho, o que contribui para a salvação de uma alma pode esperar fundadamente que também salvará a própria: Animam salvasti, animam tuam praedestinasti (se salvaste uma alma, predestinaste a tua própria alma).
Esses são os principais perigos de que deveis fugir no mundo, meus queridos jovens, se quereis. adotar um teor de vida virtuoso e verdadeiramente cristão.
Fonte: Retirado do Livro Carta aos Jovens de todos os tempos – São João Bosco, 3ª edição, 2006, Artpress.


Mariana Brito




