No último dia 6 de janeiro nós celebramos a Solenidade da Epifania do Senhor que nos convida a refletir sobre a primeira manifestação de Jesus na terra ao ser adorado pelos Reis Magos.
De toda sorte, creio que José e Maria foram os primeiros adoradores do Menino Deus, antes mesmo dos reis magos, e ainda ouso dizer que São José foi quem contemplou o primeiro sacrário, o sacrário vivo que levava dentro de si a salvação, Maria, por meio do seu ventre nutriu o Messias.
Considero como modelo de esperança a família de Nazaré, pois “esperança” também quer dizer fé e quem mais teve fé sobre este mundo do que aquela que aceitou sem mesmo conhecer homem (Lc 1,34) a ser a Mãe de Jesus e aquele que em sonho acolheu a Vontade de Deus em ser pai adotivo do Salvador (Mt 18,20)?
Esperança, de forma livre, pode ser considerado como um ato de fé, de esperar por algo maior e melhor no futuro tendo em vista o presente e até mesmo o passado. E para nós, famílias católicas, arrisco dizer que é fitar o céu tendo os pés firmes na terra de tal modo que caminhemos em busca desse mesmo céu por meio de atos de esperança que edifiquem a nós e àqueles que nos foram confiados pelo sacramento do matrimônio.
O Papa Francisco por ocorrência desta mesma solenidade veio, em sua homília, nos ensinar sobre a necessidade de ter esperança, mas a que se manifeste em atos, pois assim exorta São Tiago (2,17) “a fé sem obras é morta”:
“O dom da fé não nos é concedido para permanecermos a fixar o céu, mas para caminharmos pelas estradas do mundo como testemunhas do Evangelho…”
Logo, ser testemunha do evangelho é, entre outras tantas possibilidades, imitar a Sagrada Família, nosso modelo em todos os aspectos possíveis, inclusive na esperança, uma das três virtudes teologais que tem Deus como objetivo, como meta, ou seja, chegar ao céu para contemplá-Lo face a face.
Devemos imitar a família de Nazaré de tal maneira que sejamos verdadeiros adoradores de Jesus, assim como em sua primeira adoração, na manjedoura de Belém, e mais, que voltemos toda a nossa realidade como família para o centro de tudo: o próprio Deus, que tão grande se fez pequeno e pobre, cercado de seu pai e sua mãe e testemunhas vindas de longe para conhecer o Menino Jesus, porque assim os nossos lares se edificarão na rocha, viveremos continuamente o Evangelho no cotidiano ordinário e caminharemos todos para alcançar o mesmo objetivo: a vida eterna.
Por fim, lembremo-nos da homília de Bento XVI (2006) que foi também citada pelo nosso atual Papa por ocasião da Epifania do Senhor celebrada em 2024:
“Se falta a verdadeira esperança, procura-se a felicidade no êxtase, no supérfluo, nos excessos, e arruína-se a si mesmo e ao mundo. Por isso há necessidade de homens que tenham grande esperança…”
Sejamos famílias cheias de esperança ao modelo de Jesus, Maria e José – nosso modelo de filho, mãe e pai – da forma que Deus sonhou e reconstituiu como dom precioso à humanidade.
Tanyele Rodrigues
Missionária da Comunidade Católica Missão Maria de Nazaré
Homília do Papa Francisco, Solenidade da Epifania do Senhor, 2024, Vaticano. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2024-01/solenidade-epifania-missa-papa-francisco-homilia-06-01-24.html







