Não há no mundo acasos. No coração de Deus, tudo já está escrito.
Meu nome é Gabriel, tenho 29 anos, sou casado desde 2019 com a Michelle e pai de quatro filhos: João Vicente, Enrico José, Joana — nossa filha que já nos antecipa no céu — e Jonas José.
Deus, na sua infinita bondade, me buscou ainda no Rio de Janeiro e me conduziu ao lugar onde, desde sempre, Ele me chamava a viver. Digo “desde sempre” porque, por muito tempo, procurei esse lugar, mas ainda não o havia encontrado. Visitei caminhos, me envolvi em outras realidades, mas nunca encontrei a paz que faz o coração repousar.
Lembro com clareza de quando eu e minha esposa ainda fazíamos parte de uma comunidade religiosa. Uma das irmãs, ao nos olhar com ternura, disse: “Um coração como o de vocês só encontrará paz na vida consagrada.” Aquilo nos tocou profundamente, mas como conhecíamos apenas a vida religiosa de consagração, sabíamos que Deus nos chamava ao matrimônio, e continuamos nossa preparação com alegria, acreditando que ali, no casamento, estaria o nosso grande “sim”.
Nos casamos e vivemos um matrimônio fecundo, centrado em Deus. Mas algo ainda inquietava a alma. Eu percebia que havia um chamado ainda mais profundo — uma entrega de vida que ainda não tinha nome.
Foi então que Deus, em sua pedagogia, nos conduziu até a Missão Maria de Nazaré. Fomos apresentados à comunidade por um casal muito especial para nós: Roberto e Raíssa.
Aceitamos o convite para fazer o processo vocacional, mesmo sem compreender exatamente do que se tratava. O que sabíamos era que queríamos obedecer ao chamado de Deus.
O processo teve início em 2021 e se estendeu até 2024. Foram quatro anos de espera, escuta, formação, cura e transformação. Conhecemos a comunidade, seu carisma, sua missão. Mudamos para Divinópolis e, aos poucos, foi ficando claro: Deus me chamava a amar neste lugar. Chamava-me à vida consagrada como leigo, casado, ofertando minha vida no cuidado com minha esposa, meus filhos, meus irmãos de comunidade e com todos os que precisarem.
Jamais me esquecerei da imagem que Deus me deu durante um dos retiros vocacionais, diante de Jesus Eucarístico, ao som da música: “Quero amar-Te mais, bem mais que a mim, naqueles que Tu amas.” Vi, em oração, diversos bebês em situação de abortamento, sendo levados como num rio. Ali, tudo fez sentido. Ali entendi o porquê. Deus me chamava a ser Missão Maria de Nazaré.
Hoje, com a graça de Deus, sou membro de aliança dessa comunidade que tem por carisma “Ser mãe, gerar e formar vida nova.” E peço à Virgem Maria: que forme em mim um coração como o dela — silencioso, obediente, dócil à vontade do Pai. Coração de mãe, que cuida, ama, forma e educa.
Aqui estou, oferecendo meu “sim” diário, para que, por meio da minha vida, Deus continue gerando vida nova neste mundo.








